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Baralho da Bruxa

Arcanos Maiores do tarot

Os 22 Arcanos Maiores sao os capitulos da historia, nao as cenas. Quando um deles cai na mesa, o assunto raramente e o dia de hoje: e o arco inteiro em que voce esta metida, aquele que so fica visivel de longe.

Eles vao do Louco, que comeca sem garantia nenhuma, ao Mundo, que fecha o ciclo e descobre que fechar tambem esvazia. Entre um e outro esta a sequencia que toda vida repete algumas vezes, em escalas diferentes.

Numa tiragem, um Maior costuma dominar as cartas ao lado. Ele nao muda de assunto: ele diz que o assunto e maior do que voce estava tratando.

Os 22, um a um

O Louco

Você está prestes a dar um passo sem ter medido a queda. O Louco não avisa se dá certo. Ele mostra que a decisão já foi tomada no seu corpo antes de chegar na sua cabeça, e que alguém do seu lado está latindo faz tempo.

O Mago

Você tem o que precisa e está esperando ter mais. O Mago não entrega recurso novo, ele aponta para a mesa que já está posta na sua frente. A pergunta deixou de ser o que falta. Virou o que você ainda não pegou na mão.

A Sacerdotisa

Falta informação nessa história e você já percebeu. A Sacerdotisa não te manda adivinhar, ela te manda parar de preencher o buraco com suposição. Alguma coisa aqui ainda não foi dita, e o silêncio não é acidente. Ele faz parte do que está acontecendo.

A Imperatriz

Alguma coisa que você plantou está crescendo no ritmo dela, não no seu. A Imperatriz não acelera nada. Ela pede que você continue regando o que já existe mesmo sem ver resultado, e que repare no ponto exato em que cuidar começou a virar controlar.

O Imperador

Tem uma estrutura te sustentando ou te apertando, e é hora de descobrir qual das duas. O Imperador fala de regra, limite e autoridade, e nem sempre a autoridade da carta é você. Antes de reagir, identifica quem manda de verdade nessa história.

O Hierofante

Você está diante de algo que se faz assim porque sempre se fez assim. O Hierofante não diz se a regra é boa. Ele mostra que ela foi transmitida por alguém e nunca foi conferida por você. Saber de onde ela veio muda o que fazer com ela.

Os Enamorados

Existe uma escolha na mesa e você está tentando ficar com as duas opções. Os Enamorados não falam de alguém chegando, falam de alguma coisa sendo abandonada. O que você não escolher, você perde, e é isso que está travando a decisão faz meses.

O Carro

Você está em movimento, e movimento não é a mesma coisa que direção. O Carro dá força para atravessar, não garante que o destino esteja certo. Se o impulso chegou, usa agora, porque essa energia tem prazo e ela cansa quem dirige.

A Força

O que precisa ser domado não é a situação, é a sua reação a ela. A Força mostra alguém com as mãos na boca de um leão sem violência nenhuma. Isso só é possível com paciência, e paciência aqui é escolha diária, não traço de personalidade.

O Eremita

Você precisa de silêncio para enxergar isso, e silêncio custa caro: significa não estar disponível. O Eremita não é descanso. É trabalho solitário com uma lanterna pequena, uma pergunta por vez, sem ninguém por perto para confirmar se você está certa.

A Roda da Fortuna

Alguma coisa está girando e não vai parar porque você pediu. A Roda não promete melhora, promete movimento. A pergunta que ela realmente faz é outra: quantas vezes você já esteve exatamente nesse ponto e chamou de coincidência?

A Justiça

Existe uma conta sendo feita e você está dentro dela. A Justiça não é vingança contra quem te machucou, é causa e efeito medido com frieza, incluindo as suas causas. Repara que a espada já está erguida enquanto a balança ainda pesa. Essa carta corta.

O Enforcado

Nada aqui vai se mexer porque você empurrou com mais força. O Enforcado é a suspensão: você está pendurada de cabeça para baixo, o mundo virou, e é exatamente dessa posição que se enxerga o que não dava para ver de pé. A saída não é destravar. É atravessar.

A Morte

Já acabou. Não está acabando nem vai acabar: acabou, e a única parte pendente é você dizer isso em voz alta para alguém. A Morte não vem pedir autorização e não negocia prazo. Ela vem cobrar o reconhecimento de uma perda que você já sabe de cor.

A Temperança

A resposta não é escolher um dos dois lados. É achar a dose. A Temperança trabalha na medida exata — quanto de cada coisa, em que ordem, em quanto tempo — e essa medida não se descobre pensando. Descobre-se errando um pouco para cada lado e corrigindo.

O Diabo

As correntes no pescoço daquelas duas figuras são largas. Saem pela cabeça se elas levantarem os braços. Você sabe disso há um tempo. O Diabo não é sobre estar presa, é sobre o que você recebe em troca de continuar assim mais um mês.

A Torre

A coroa que voa não era parte da torre. Estava apoiada em cima. O raio não derruba a construção inteira: derruba o que foi colocado ali para fazer aquilo parecer maior do que era. E derruba num segundo o que você levou anos escorando.

A Estrela

Ela está nua porque a Torre levou a armadura junto. A Estrela não promete que vai dar certo. Ela aponta o norte e devolve a capacidade de andar em linha reta outra vez, depois de um período andando em círculo no escuro.

A Lua

Não é que estejam te enganando. É que não existe luz suficiente para você concluir nada com segurança. A Lua distorce formas reais em vez de inventar formas falsas, e por isso o seu medo pode muito bem estar certo. Você só ainda não tem como saber.

O Sol

A resposta é simples e você já a tem. O Sol não revela segredo nenhum: ele acende a luz em cima do que já estava no meio da sala. O que incomoda nesta carta não é a dúvida, é que sem sombra não sobra desculpa para adiar a decisão.

O Julgamento

Alguma coisa te chamou pelo nome. Uma pessoa reapareceu, uma vontade antiga voltou, um assunto que você deu por encerrado bateu na porta. O Julgamento não é convite, é chamado, e chamado tem resposta e prazo. Continuar deitada também é uma resposta.

O Mundo

Terminou, e terminou direito. O desconforto do Mundo não é falta de alguma coisa: é não saber quem você é sem aquilo que acabou de ser concluído. Complete o gesto, receba o que ele deu, e repare que o chão do lado de fora da guirlanda está vazio.

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